“Eu vi a glória do Deus de Israel que vinha do oriente. A sua voz era
como a voz de muitas águas, e a terra resplandeceu por causa da sua
glória”. – Ezequiel 43.2
O profeta Ezequiel ouviu a voz do Senhor e foi este o testemunho acerca
dela: era como a voz de muitas águas! Mas esta não foi a única ocasião
em que ele a ouviu desta forma. Logo no início de seu livro encontramos
um relato de uma visão que o Senhor lhe dera, e nela ele comenta acerca
da voz do Senhor:
“Os seus pés eram semelhantes a latão reluzente, como que refinado numa
fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas” – Apocalipse 1.15
Temos três testemunhos: o de Ezequiel, o de Jeremias e o de João. E a
Bíblia diz que pela boca de duas ou três testemunhas se estabelece toda
questão (2Co. 13.1). Portanto, isto não é apenas um exemplo ou alegoria,
é uma doutrina. Não é um mero detalhe em meio a uma descrição, e sim
uma ênfase das Escrituras. A voz do Senhor é como a voz de muitas águas!
Deus quer que entendamos e vivamos esta verdade. Sua voz em nossas vidas deve ser como a voz de muitas águas.
O SIGNIFICADO
Se a expressão
“voz como de muitas águas” não é apenas
uma menção ou detalhe, mas uma ênfase e doutrina escriturística, então é
de suma importância que compreendamos o significado da terminologia
bíblica. O que é ter voz como de muitas águas? Não é a quantidade de
água em si que oferece o exemplo utilizado nas Escrituras, mas vimos que
a expressão aparece ligada a outros termos como
“ruído” e
“estrondo”;
o exemplo, na verdade, está ligado ao BARULHO das águas. Alguém pode
estar no meio do oceano, olhar à sua volta e ver muitas águas, mas ainda
sim estar tudo em silêncio; não é da quantidade de água em si que a
Bíblia fala, mas sim de seu ruído. Embora no caso de uma queda d’água,
quanto maior for o volume de água maior será também o ruído…
Eu creio que o paralelo que Deus oferece é este, o de quedas d’água,
cachoeiras, cataratas, ou qualquer outro nome que aponte para o ruído de
águas, como as ondas bravias do mar, por exemplo. Até mesmo as chuvas
(tempestades) são apresentadas assim neste exemplo bíblico, pois a idéia
é esta: ressaltar a intensidade da voz divina.
Quando nos aproximamos de quedas de águas, por exemplo, as Cataratas do
Iguaçu, podemos observar que quanto maior o volume de água, maior será o
ruído que ouviremos. Estive lá algumas vezes, inclusive na minha
lua-de-mel, quando Deus falava destas verdades comigo, e é um espetáculo
e tanto! Mas lá em Foz do Iguaçu, podemos ouvir o ruído das águas sem
que ele impeça nossa conversa, pois é possível ouvirmos uns aos outros
visto que os visitantes não têm como se aproximar tanto das cataratas.
Podemos até molhar a roupa do corpo devido à umidade do ar, mas mesmo
nos pontos turísticos mais próximos das cataratas ainda não se chega
perto o suficiente para que nossa voz seja encoberta. Contudo, se formos
a uma cachoeira de menor volume de água e de queda também menor, mas
colocarmo-nos debaixo dela ou mesmo bem próximo às pedras onde ela cai,
poderemos experimentar o barulho dela encobrindo nossa voz e impedindo
até mesmo conversas, pois o provável é que ninguém ouvirá ninguém.
O ruído de muitas águas é, em outras palavras, um ruído que encobre os
outros ruídos. Assim também é a voz do Senhor: UMA VOZ QUE ENCOBRE AS
OUTRAS VOZES! E aqui deparamo-nos com um princípio poderoso: Deus quer
que sua voz chegue com tamanha intensidade em nossas vidas que cheguemos
a ponto de não ouvir mais nenhuma outra voz. Ele quer que sua Palavra
PREVALEÇA sobre toda e qualquer voz neste mundo, a ponto de se poder
dizer de nossas vidas o que se disse em Éfeso:
“Assim a palavra do Senhor crescia poderosamente, e prevalecia.” (At. 19.20.)
O que aconteceu nesta cidade da Ásia pode (e deve) acontecer conosco!
Afinal não foi na cidade em si que a Palavra cresceu, mas na vida dos
habitantes dela; e se ocorreu a eles pode nos ocorrer também. Quando a
Bíblia fala sobre o crescimento da Palavra, fala de como ela cresce na
vida das pessoas. À medida que damos espaço à Palavra do Senhor,
inclinando nosso coração a ela, experimentamos uma INTENSIDADE MAIOR de
sua operação em nossas vidas.
Mas note que a Palavra não apenas crescia, mas PREVALECIA. E prevalecia
sobre o quê? Sobre outras vozes e ruídos. Isto é que é experimentar a
voz do Senhor como voz de muitas águas. É ouvi-la tão intensa e
fortemente que não ouvimos mais nenhuma outra voz!
Por outro lado, há pessoas que experimentam justamente o contrário:
outras vozes é que vivem encobrindo a voz do Senhor em suas vidas.
Creio que há um fator determinante que diferencia um grupo do outro. A
palavra de Deus não iria prevalecer na vida de um e de outro não sem um
motivo. O que determina esta diferença?
A DISTÂNCIA INFLUENCIA
Citei como exemplo de ruído de águas, as Cataratas do Iguaçu, onde
podemos perceber o barulho das águas sem deixarmos de conversar uma vez
que, pela distância, o ruído não chega a atrapalhar-nos. E ao comentar
sobre uma catarata barulhenta (mas não o suficiente para encobrir todos
os outros ruídos), o fiz com o propósito de chamar-lhe a atenção para
uma outra verdade: a distância que permanecemos da água influencia
muito!
Ao entrar no Parque Nacional do Iguaçu, ainda na estrada para as quedas
não podemos ouvir o ruído da água, mas assim que nos aproximamos delas
no último quilômetro já começamos ouvi-las. Mas mesmo quando estamos no
ponto de observação mais próximo, ainda podemos conversar. Porém, se
houvesse um meio (seguro!) de nos aproximarmos tanto de uma das quedas, a
ponto de quase nos colocarmos debaixo dela, então seria impossível
conversar ou ouvir outro som, pois o barulho da água PREVALECERIA sobre
todos os outros.
Assim também se dá com a voz de Deus. Se nos aproximarmos de sua
Palavra, ela encobre as outras vozes. Mas se nos distanciarmos, podemos
chegar a um ponto onde os outros ruídos acabam sendo mais altos que a
Palavra de Deus em nossas vidas.
O propósito divino é que estejamos tão próximos da Palavra que ela prevaleça sobre toda e qualquer voz, abafando-a por completo.
Não estou falando do quanto você conhece ou lê a Bíblia, mas do quanto
você está (ou não) perto! A quantidade de água não afeta tanto como a
PROXIMIDADE dela… Mencionei que em Foz do Iguaçu é possível conversar
sem que o ruído da água abafe completamente nossa voz; mas há alguns
anos conheci uma pequena cachoeira que conseguiu esta façanha! Veja bem,
não há como compará-la com as Quedas do Iguaçu, cuja altura e volume de
água são incalculavelmente superiores, porém, esta pequena cachoeira
localizada no município de Candói, no Paraná, conseguiu abafar minha
voz!
Havíamos realizado um acampamento com os jovens da igreja, e descobrimos
nas proximidades do local do acampamento a tal cachoeira. Devido ao bom
tempo que desfrutávamos naquele dia e a consciência de que por causa
das chuvas abundantes que caíra nos dias anteriores haveria um lindo
espetáculo, dirigimo-nos com um grupo de jovens para lá. Ao chegarmos, a
maioria de nós não resistiu ao calor e decidiu se colocar debaixo do
véu de água… e foi curioso descobrir que embora não parecesse uma
cachoeira tão forte, mal conseguíamos ouvir uns aos outros enquanto
debaixo daquela queda d’água.
A lição que aprendi com este exemplo! O que faz a diferença não é o
tanto de água que cai, mas se eu estou ou não próximo a ela! Em Foz do
Iguaçu o volume de água era muito maior do que este em Santa Clara, no
Candói. Mas o fato de eu ter me aproximado mais da menor cachoeira, pôde
me levar a atribuir a ela um ruído maior do que o aquele que trago na
memória referente às belas Cataratas do Iguaçu.
Semelhantemente, há crentes que conhecem a Bíblia já há muitos anos, e o
tanto que a leram e estudaram é semelhante ao volume de águas do
Iguaçu, é muita coisa! Mas não vivem próximos da Palavra, e ela não é
suficiente para abafar as outras vozes em suas vidas!
Por outro lado, temos irmãos que pelo pouco tempo que servem ao Senhor,
suas águas (conhecimento da Palavra) são de um volume tão menor que as
do Iguaçu que só podem ser comparadas com esta pequena cachoeira da qual
me referi. Só que como vivem tão próximos da luz, que possuem da
Palavra, ela é suficiente para PREVALECER em suas vidas e abafar as
outras vozes.
Portanto, não é o estar em Foz do Iguaçu ou no Candói que determina a
diferença, mas a que distância cada um se encontra das suas águas! Se o
mais novo na fé e o de menor conhecimento entram debaixo da sua
cachoeira, e o mais velho na fé e o de maior conhecimento permanecem
longe de sua catarata, em quem a Voz de Deus está chegando mais alto? É
óbvio que nos que estão próximos daquilo que já possuem. É naquele que
se aproxima mais, e não no que conhece mais.
A voz do Senhor será como voz de muitas águas, encobrindo as outras
vozes e ruídos, somente quando nos colocarmos próximos a ela.
O QUE É ESTAR PRÓXIMO
O que é, então, estar próximo? É não apenas ler e conhecer as
Escrituras, mas permitir que o Espírito Santo trabalhe em nós com a
Palavra. Por exemplo, eu posso ser um profundo conhecedor (e até
ensinador) da fé bíblica; dizer às pessoas: as Escrituras dizem isto,
isto e aquilo… mas na minha vida cristã, na hora em que eu precisar
exercitar minha própria fé, ser vencido pela voz da dúvida. Já um
cristão novo convertido, que não tenha nenhuma bagagem tão profunda de
Bíblia e nem saiba explicar a fé, pode ler uma porção da Palavra, uma
promessa, e permitir que o Espírito Santo trabalhe em seu íntimo
revelando a Palavra, o que fará com que ela se torne
“voz como de muitas águas” em
sua vida. Terá então provado o poder da Palavra do Senhor abafando a
voz da incredulidade e dando-lhe vitória no combate da fé.
Não estou dizendo que não há valor em estudar e conhecer as Escrituras;
você deve dedicar-se a isto o MÁXIMO que puder (2Tm. 2.5). Quem dera que
cada crente lutasse contra a ignorância em busca de mais e mais da
Palavra de Deus. Seria uma verdadeira revolução! Mas o que quero dizer é
que apenas isto não basta e nem tampouco determina o sucesso de nossa
vida cristã. Precisamos conhecer E NOS MANTER PRÓXIMOS da Palavra; não
podemos nos distanciar.
Distanciar-se não é deixar de saber, mas sim deixar de ser sensível,
viver e experimentar aquilo que conhecemos. Trata-se de perder a
consciência espiritual daquela verdade e, conseqüentemente, impedir que o
Espírito Santo prossiga trabalhando naquela área de nossas vidas.
Nestes dias o Pai Celeste está nos convocando para que nos aproximemos
novamente das águas e permitamos que elas abafem as outras vozes e
ruídos em nossas vidas.
DIFERENTES TIPOS DE VOZES
Ao escrever aos coríntios, Paulo mostrou nos capítulos 12 e 14 de sua
primeira epístola, que Deus é um Deus que fala. Diz que já não mais
servimos aos ídolos mudos (1Co. 12.2), mas ao Deus vivo que fala com
cada um de nós; e então cita os dons do Espírito como um dos diferentes
meios pelos quais Deus fala. Mas ao mostrar que podemos ouvir a voz do
Senhor, ele também deixou claro que podemos ouvir outros tipos de vozes:
Lemos que não somente há línguas diferentes, mas VOZES diferentes.
Ouvimos muitas espécies de vozes em nossa vida espiritual; o diabo, o
mundo e a carne, nossos cruéis inimigos, tentarão de todas as formas
abafar a voz de Deus em nós para que lhes demos ouvidos. Mas, por outro
lado, se deixarmos a Palavra de Deus se manifestar com
, então as demais vozes é que serão encobertas e a Palavra do Senhor prevalecerá.
Há muitos tipos de vozes no mundo. Às vezes sentimo-nos pressionados a
dar ouvidos a uma voz que não se harmoniza com a de Deus. Reconhecemos
que a voz do Senhor diz o oposto, sabemos que estamos errando, mas ainda
assim, ficamos de tal maneira presos que acabamos por seguir na direção
errada. E depois nos frustramos, condenamos e lamentamos.
Por que não ouvimos a Palavra de Deus? Como é possível saber o que o Senhor diz, e ainda fazer o contrário?
A razão é que estamos distantes da Palavra de Deus naquela área; esta é a
única e grande verdade do porquê isto ocorre! Se nos aproximarmos do
que Deus diz, recebendo a vida e a revelação do Espírito Santo naquela
área, então as outras vozes serão encobertas. Se nos afastarmos da
Palavra (e não me refiro ao Livro em si, mas à Palavra VIVA), então as
demais vozes é que se sobressairão. Que voz tem prevalecido em tua vida?
Sugerimos abaixo algumas destas muitas espécies de vozes que costumamos
ouvir. Para cada uma delas o princípio de vitória é o mesmo: VOLTAR À
PALAVRA. Não apenas ler, mas meditar e deixar que o Espírito da Verdade
opere no íntimo, avivando a consciência espiritual…